terça-feira, 17 de julho de 2007

Ele surgiu do nada. Sem ter sequer razão de ser, entrou na vida dela, e tomou seu lugar, como um rei assume seu trono. Qualquer que fosse o lugar para onde ela olhasse, ela o via. Em todos os rostos, janelas, paredes, revistas, no ar que respirava, lá estava ele. Seus grandes olhos castanhos, com um leve brilho esverdeado. Seus longos cabelos loiros, lisos, com cachinhos nas pontas. Seu rosto pálido, fino, como o de um elfo... Suas feições delicadas, quase femininas... Sim, ele estava lá. E ela se comprazia em admirá-lo, meio que sonhando acordada, sem se importar com mais absolutamente nada.

Só depois da notícia bombástica, mais de um ano depois de tê-lo conhecido, é que ela se deu conta de que estava perdida e irremediavelmente apaixonada.

- Namorando?! Como é possível? Oliver, se você estiver mentindo pra mim...
- E por que eu mentiria para você, ainda mais sobre isso?
- Porque você é a fim de mim.
- É, tem razão. Eu tenho motivos pra mentir pra você sobre isso. Mas não estou. Ele está namorando mesmo!
- Diabos! Mais de um ano amando em segredo, e, quando finalmente decido confessar, ele me arranja uma namorada, só pra complicar as coisas!
- Como é, Morgana? Amando?!
- Er... Esqueça. Me deixe só, preciso pensar.

É, amando. Lembrou-se de quando se conheceram. O beijo no rosto que estremeceu o corpo inteiro. Os toques discretos e um tanto agressivos, durante o treino. As carícias proibidas durante a bebedeira. O último olhar, antes de ir embora para sempre. E todo esse tempo sem se dar conta do que sentia... E agora... Namorando!

A dor que sentia era enorme. Mas deveria se acostumar. Afinal, ainda podia sonhar... E ele nunca abandonou seus sonhos...


(Escrito em 22/12/04, pensando em alguém que já não é mais. Diga-se, ele nunca mais apareceu nos sonhos dela desde então...)

domingo, 15 de julho de 2007

Cansei. De poesias, de palavras vazias, de me sentir enganada e... como era mesmo a palavra? Enfim. Não importa, o que importa mesmo é que cansei.

Cansei de ser atraída por alguém que me lembra meu passado. Cansei de ser quem eu fui. Cansei de ser puxada pela energia que eu abandonei há anos.

Hoje, sou eu. Quem eu fui não importa mais. E agora sei que sou forte o bastante para resistir. Ou pelo menos espero ter essa certeza dentro de mim - o que, convenhamos, está longe de ser verdade.

Me descobri um ninho de contradições. Me descobri presa em um vórtex, sempre indo em direção ao centro, e, ao centro, lá está: tudo o que eu quero deixar para trás.

Descobri que um pouco de fé não dói. Descobri que sou mais cabeça dura do que acreditava. Descobri que posso me esconder atrás de um sorriso, e, até onde qualquer um saiba, está tudo bem.

Descobri que rosnados e hostilidades ostensivas só servem para piorar as coisas, embora resolvam de vez em quando. Descobri que, por mais que me descubra, nunca vou desvendar o mistério que se descortina por trás daqueles olhos que me sugam até me deixar seca, exausta, sem ter para onde correr.

Descobri que não quero desvendar mais nada. Descobri que está tudo bem do jeito que está, até que se prove o contrário.

Descobri que o que sinto me basta. Que não preciso da aprovação - ou da reciprocidade, que fique bem claro - de ninguém.

Descobri que a poesia é mais bonita e mais sentida quando o poeta sofre. E que a canção é mais potente e sonora quando sua alma está na música, independente do que ela diga. Descobri que qualquer música fala de amor.

Descobri que ainda quero o que não posso ter, mas que não quero mais ter o que quero. E que só o seu sorriso basta, para mim.

sábado, 14 de julho de 2007

Thoughtless (Tradução)

Todo meu ódio está oculto
Não sucumbirei a seus esquemas impensados
Você pode tentar me destruir
Me reduzir a pó
Te verei gritando

Folheando as páginas de minhas fantasias
Me livrando da piedade
Quero ver você tentar me atingir
Venha, vou te colocar no seu lugar

Por que você está tentando me sacanear?
Você acha engraçado?
O que diabos você pensa que está fazendo comigo?
É sua vez de me ferir
Quero você chorando na minha frente.

Todo meu ódio está oculto
Não sucumbirei a seus esquemas impensados
Você pode tentar me destruir
Me reduzir a pó
Te verei gritando

Folheando as páginas de minhas fantasias
Estou acima de você, sorrindo, querendo que você afunde
Quero te matar e invadir do jeito que você fez comigo
Puxarei o gatilho
E você cairá

Por que você está tentando me sacanear?
Você acha engraçado?
O que diabos você pensa que está fazendo comigo?
É sua vez de me ferir
Quero você chorando na minha frente.

Todo meu ódio está oculto
Não sucumbirei a seus esquemas impensados
Você pode tentar me destruir
Me reduzir a pó
Te verei gritando

Todos meus amigos se foram, estão mortos
Todos gritaram e choraram

Vou te derrubar
Vou te derrubar
Vou te derrubar
Vou te derrubar

Todo meu ódio está oculto
Não sucumbirei a seus esquemas impensados
Você pode tentar me destruir
Me reduzir a pó
Te verei gritando

Todo meu ódio está oculto
Não sucumbirei a seus esquemas impensados
Você pode tentar me destruir
Me reduzir a pó
Te verei gritando

É, é bem assim que me sinto agora.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Todo o meu erro foi amar demais na hora errada... Fui fraca, fui precipitada... Rasguei promessas e votos, tudo isso com os estilhaços que sobraram do que um dia fui...

Agora é hora de se reconstruir... De procurar aquilo que perdi em outros lugares...

Se a esperança é a última que morre, o que mais falta em mim morrer?
Bom dia, amizade
Bom dia, confiança
Gosto quando vocês estão aqui e se fazem presentes...
Gosto quando vocês dão o ar de suas graças e impedem que eu faça o que quero, mas só para o meu bem.

A punhalada dói bem mais quando é pelas costas.
A perfuração nos olhos me impediu de enxergar
O que estava tão claro...!

E o travo daquilo que eu acredito poder viver sem
Enche meus pulmões, me intoxicando novamente
E é aí que vejo o quanto sou fraca
E o quanto o sabor é melhor depois da privação.

E a dor no peito que senti era menos do que eu esperava
A dor do conhecimento foi mais fundo, e me fez abrir mão daquilo em que cheguei a acreditar...

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Ouço sua voz ao longe. Ouço sua risada. tudo isso me conforta, mas também me lembra que, graças à minha precipitação, tudo está fadado ao fracasso. "Noites sujas de vinho", você escreveu uma vez. Não, não me olhe desse jeito. Sequer lembro do contexto, mas, por algum motivo, esta expressão ficou gravada no meu subconsciente. Acho que é porque, na minha noite, na noite que sempre me acompanhou, os vapores do vinho barato se entranharam na minha alma, manchando roupas, lábios, sentimentos e discernimentos. Desta vez, a culpa não é do vinho, mas a culpa acompanhou o vinho.

O vinho é o de menos, na verdade. Na verdade, na verdade, o que maculou a toalha branca que vesti por cima de meus pecados foi a paixão, avassaladora, que me impediu de controlar minha própria língua. A paixão, que é como eu chamo essa mescla de sentimento forte de amizade com tesão incontrolável. A sempre arrebatadora paixão. Esta sim, lançou uma nódoa cor de sangue imensa sobre a história que nem chegamos a escrever. Nublou por completo minha capacidade de raciocínio. Afetou a maneira como eu percebo o mundo, e me fez notar que este não tem a menor graça sem você.

No entanto, você se afasta de tal forma que nem sei como lidar com isso. Já entendi que não estou nos seus planos sentimentais. Já percebi que, pelo menos por enquanto, você não me quer.
Custa muito me ceder um pouco de espaço na sua aparentemente restrita lista de amigos? Pelo menos enquanto você não se dispõe a terminar o serviço?
Não quero saber o que fiz
Não quero lembrar o que causei
Não quero olhar nos teus olhos
E me sentir vazia no reflexo
Não quero me aproximar mais
Não quero me ferir mais
Não quero me afastar
Não quero ficar tanto tempo sem você.

Te quero perto de mim
Te quero dentro de mim
Você já está dentro de mim
Me corroendo por inteiro
E atrapalhando as tarefas mais simples
Como dormir em paz
Como viver em paz.

Estou regredindo, estou afundando
Está chovendo, e a chuva tem o sabor da lágrima que calei.
Estou quase transbordando, tão inundada de sentimentos.

Meu pecado, meu erro
Minha ilusão que se provou real
Se nossos semblantes se cruzam
Me sinto perder as forças
Não sou capaz de suster meu rosto na direção do seu
No entanto, é você quem habita meus pensamentos...